09/01/2004 22:16 
Televisão, domingo à noite: poucos não reclamam da programação. Troca-se de canal exaustivamente, implica-se com tudo: baixaria, futilidade, sensacionalismo... Mas o pior não é isso. Costumamos atribuir mais valor a programas de baixa qualidade, já que, ao passar por um canal cultural, nossa indiferença é tamanha, que dizemos “Ah, aqui não está passando nada”. O que queremos?
Infelizmente, a tese de que a desgraça alheia atrai a atenção e a curiosidade das pessoas é comprovada cientificamente. Não se trata de mentes perturbadas, requintes de crueldade ou coisa parecida. É simples: nos sentimos aliviados pelas coisas ruins não terem acontecido conosco, além de precisarmos de novidades “quentes” para pertencer a um grupo. Não admitimos, mas somos assim.
Essa é uma necessidade humana (perfeitamente controlável) que a TV explora porque não é estúpida. Vivemos num mundo capitalista! E quando não percebemos isso, passamos a criticar, sem propor nenhuma sugestão de mudança, consolidando a classe dos acomodados resmungões.
Sabemos que o ensino propositalmente mal estruturado do país não estimula o senso crítico, mas é possível mudar. Leis que censuram, até certo ponto, podem estar corretas, mas a transformação precisa ser interior, para que a cultura se faça verdadeiramente em nosso meio.
Não faltam programas bons. O que realmente falta é o bom senso de cada telespectador, para descobrir que existe uma lei natural chamada liberdade de escolha. Se ainda assim a cultura televisiva faltar, ainda é tempo de lembrar que a era da informática não fez com que os bons livros expirassem. Silvia Ferreira | comentários(2)
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